Medicina
Alternativa
A AIDS E A HOMEOPATIA
As
pessoas se perguntam se algum dia será encontrada a cura do câncer
e da AIDS, mas a doença predominante numa sociedade ou determinado grupo
populacional é o reflexo de si próprios. O avanço do materialismo
na sociedade e a tecnologia mal direcionada, provocam uma ruptura dentro do
ser humano. A humanidade está frágil e insatisfeita, tornando-se
facilmente manipuladas pela máquina da propaganda, onde o sexo, o prazer
físico e o poder material são os apelos principais. O sexo deixou
de ser um meio de integração e comunhão entre as energias
masculina e feminina para tornar-se um fim em si mesmo.
Com a perda de seus valores essenciais, o homem não é capaz de
fazer companhia a si próprio, tenta preencher o vazio interior com as
coisas do mundo exterior, sem conseguir, porque o querer não tem limites.
O resultado é a total insatisfação, e uma procura constante
de resolver sua angústia essencial e existencial, que pode se traduzir
pela mudança freqüente de parceiros sexuais ou pelo uso de drogas
cada vez mais potentes, na busca incessante do prazer, da ilusão da paz
interior e da felicidade, na realidade nunca encontrados, pois esses bens não
encontramos fora, e sim dentro de nós mesmos...
...As doenças, inclusive a AIDS, são o resultado do desrespeito
às leis imutáveis da Criação. O que acontece na
mente vai se refletir no corpo, estabelecendo os limites entre a saúde
e a doença... O caminho da cura só será possível
quando a sociedade como um todo fizer uma revisão de seus valores e atuar
nesse sentido.
O medicamento homeopático por si só não cura as pessoas,
ele coloca o indivíduo em condições favoráveis para
que possa se curar, coloca o indivíduo num estado de saúde estável,
o que é conseguido com o uso adequado do livre arbítrio e a integração
do ser físico-espiritual.
A AIDS no seu contexto social, é uma doença que vem nos mostrar
a necessidade da prática da FRATERNIDADE, da compreensão com o
próximo e da colaboração mútua. Desta forma a humanidade
poderá vencer todos os desafios.
Observamos ao longo dos últimos anos, em que atendemos um grande número
de portadores de HIV/AIDS, que aqueles que passaram por uma transformação
interior, com mudanças de atitudes perante a vida, esquecendo de sua
própria doença e priorizando servir ao próximo, estão
conseguindo manter-se equilibrados e clinicamente estáveis, situação
que pode continuar na dependência da manutenção dessa disposição
interior de evolução emocional, mental e espiritual.
É preciso mudar integralmente: adquirir hábitos alimentares mais
naturais e saudáveis, renunciando a todas as substâncias tóxicas
que agridem o corpo físico e mental (fumo, álcool, drogas em geral),
adquirir um ritmo de vida sem excessos, dentro da maior rotina e harmonia possíveis,
em busca de um caminho que leve à evolução espiritual e
que permita a religação com seus valores transcendentes
Célia
Barollo
Célia
Regina Barollo é médica infectologista e sanitarista.
Especialista em Homeopatia pelo Conselho Federal de medicina e com pós
graduação em Homeopatia da Associação Paulista de
Homeopatia. Trabalha em educação, vigilância epidemiológica
e pesquisa em AIDS no Instituto de Infectologia Emílio Ribas
AIDS
ESTOPIM DE OUTRAS DOENÇAS
Os problemas de saúde
de países em desenvolvimento não sumiram só porque a AIDS
apareceu. Eles mudaram... e para pior, em dois sentidos. Em primeiro, os poucos
recursos disponíveis para as ações de saúde pública
tiveram que ser compartilhados com a AIDS, e a AIDS é uma doença
cara. Os remédios são caros, as internações se repetem
e no final ninguém se cura. A piora no sistema de saúde brasileiro,
por exemplo, nos trouxe uma epidemia que há pelo menos um século
não passava por aqui, a cólera. Vergonha para a gente, pois cólera
depende quase que exclusivamente de tratamento decente de água- e tanto
é verdade, que onde a água é clorada, tratada, enfim, a
cólera só aparece em casos importados e não se dissemina.
A cólera permite que percebamos o tamanho enorme da dívida social
que temos com nossa população, pois é literalmente “o
fim da picada” que milhares de cidadãos não tenham acesso
a água tratada e esgoto.
A AIDS provoca, além da divisão de recursos, algo mais perigoso.
A interação entre o vírus e os parasitas de longa persistência
no hospedeiro. Um bom exemplo é a tuberculose: há uma epidemia
de tuberculose em curso, ligada a piora da condição de vida do
brasileiro, da miserabilidade, a existência de “homeless”,
dos que dormem na rua, dos que partilham celas em prisões e dos que são
internados na FEBEM. Há uma associação muito clara da tuberculose
com uso de drogas endovenosas, nos desnutridos crônicos, e agora, a maior
preocupação: a presença do HIV aumenta o risco de reativação
da tuberculose. O paciente que se droga é um péssimo doente sob
o ponto de vista de adesão ao tratamento. Ele facilita a adesão
de cepas resistentes de tuberculose, que começam a passear pela população
e contaminam principalmente o pessoal da saúde, pessoas que tratam drogados
e portadores do HIV. Esse é um risco palpável de contrair uma
doença muito grave, a tuberculose multi resistente que evolui como no
passado, quando não havia remédio. Isso quer dizer um risco de
mortalidade de 40%.
Essa não é a única doença a se modificar com o aparecimento
da AIDS. Várias das doenças ditas tropicais, como a paracoccidiodimicose,
a doença de Chagas e a leishmaniose visceral, para citar algumas, se
modificam e mudam características clínicas. Invariavelmente para
pior, para maior gravidade. A AIDS veio mesmo para atrapalhar a vida da gente...
Jacyr
Pasternack, é médico infectologista no HCFMUSP e professor universitário