"Algo me diz que está chegando a minha hora. Foram nove meses de muito trabalho, onde as leis universais atuaram sábia e pacientemente na tarefa de minha formação...

Sei que se inicia para mim um processo de grandes transformações; vou mudar de moradia, vou prosseguir minha trajetória...

Mas estou percebendo que não quero mudar. Aqui é tranquilo, silencioso, calmo. Tenho comidinha na hora certa, vou a todos os lugares com o papai e a mamãe...

Estou percebendo outro pensamento em minha mente. Se eu não nascer, não deixar o útero, como saberei como é a vida lá fora?

...As contrações estão mais frequentes! Parece tão apertado! Será que vou conseguir?

...Acho que vai dar tudo certo. Acho que logo ao nascer, poderei reconhecer as vibrações tão gostosas de minha mãe e do meu pai. Mais alguns instantes estarei nascendo. Vamos útero, vamos mamãe, ajude-me!

Aí mãe, estou nascendo. Nasci! O que está acontecendo? Que frio repentino, quanta luz, que espaço enorme é este, onde estou?

Ah! Agora já sinto mãos amigas me acariciando, alguém me envolve com paninho quente, sussurra palavras gostosas no meus ouvidos. Percebo que está colocando em cima do corpo desnudo de minha mãe. Oh! que sensação inefável de paz, de harmonia, de segurança! Como é bom sentir o amor de minha mãe e o carinho de meu pai!

Obrigado Criador, por ter colocado a sua perfeição a serviço do meu nascimento. Obrigado médico, por ter me ajudado neste trecho importante de minha caminhada...; Obrigado mamãe e papai, por terem me desejado tanto, por me amarem com tanto amor e por me receberem com tanta alegria.

...Sinto que vou poder caminhar por este mundo com todas as chances de ser vencedor".

Trechos de Reflexões de um Feto, de Roberto Sizenando Silva, extraído da Revista Feminina, Jan/89.