Crianças de Rua

Drogas, sexo, roubo

Para Rosmary Correa, Secretária da Infância, Família e Bem Esatr Social, "o uso de drogas vem como fuga da situação em que vivem. A cola, o esmalte e a droga mais pesada tiram estas crianças da realidade. Daí para a infração é um passo. Para conseguir a droga ou mesmo a comida vale tudo. O furto é a primeira infração do menor. Exploradores e cafetões iniciam a criança no mundo do sexo, como forma de sobrevivência. A droga é o pagamento mais "preferido", quando a comida já não é o essencial. O referencial de segurança para os meninos de rua, são esses chamados "pais de rua", que os se viciam sexualmente, pagam pelos objetos roubados e fornecem drogas. São eles que garantem a sobrevivência do menores".

FEBEM e Casas de Recuperação

Quando ocorrem a promeira infração, fruto de todo o mundo do adolescente de rua, ele vai para uma instituição, a FEBEM. "Por melhor que tentemos educar, ressocializar, levantar no adolescente o que ele tem de melhor e mesmo que ele se recupere, está maracado. Ele tem o estigma da FEBEM". Para a secretária estadual Rosmary Correa, a recuperação do menino infrator é quase impossível. A sociedade não apoia um egresso da FEBEM, ela o julga sempre perigoso e sem oportunidade na vida. Daí para as reincidências e retornos à FEBEM, é questão de tempo. Chegam os crimes mais graves, e "ele" já é adulto. Aos 21 anos é transferido para uma cadeia pública ou penitenciária ou ainda acaba morrendo em brigas de gangues ou mesmo com a polícia.

A AIDS na FEBEM

A OMS - Organização Mundial de Saúde proíbe a discriminação ou mesma a identificação através de exame do menor portador do HIV. Assim, a Secretaria Social do Menor não possui dados de quantos internos são contaminados pela AIDS. Sabe-se porém, que a promiscuidade e o uso de drogas injetáveis é rotina da vida desses menores. Muitos já vem viciados da rua, são homossexuais eportanto constituiem-se em pessoas de risco dentro da instituição. O CONAIDS e algumas secretarias estaduais tem promovido seminários sobre a doença. O corpo médico que atua na FEBEM está sendo readequado e melhor equipado. Tem sido feito um trabalho junto aos meninos, levantando a atividade na qual estão envolvidos.

"Recentemente tivemos um caso de um garoto com AIDS que se suicidou. Não encontramos vaga em hospitais, e ele recebeu um acompanhamento médico aqui mesmo. Pouco tempo depois ele se suicidou", relta Rosmary. "Sabemos que existem portadores, embora seja impossível precisar quantos, mas temos orientado tanto os meninos como os funcionários através de seminários, e o próprio corpo médico tem se esforçado para tratar sem discriminar e sem agregar".