Drogas


"O vício é a manifestação, em uma única pessoa, de uma doença familiar". O delegado Alberto Corazza, diretor de educação e prevenção do DENARC, definiu com essa frase o que leva as pessoas ao consumo de drogas, em recente entrevista à revista Veja. Trata-se de um problema onde, não só o viciado, mas todos são culpados, e todos devem procurar soluções. As drogas, leia-se do álcool ao LSD, representam uma passagem cara e perigosa para uma viagem que raramente tem volta. Apenas 10% dos viciados conseguem parar numa boa, depois de consumirem cocaína, por exemplo, segundo a reportagem. Na maioria, as pessoas começam a usar droga, imaginando serem consumidores sociais, e se arrebentam.
Também não existem parâmetros para os dependentes. São ricos, pobres, pretos, brancos, jovens, velhos. Há viciados de todo tipo.
Normalmente é na adolescência que começa o uso da droga. E os homens são a maioria dos dependentes químicos. O psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, do GREA/USP, afirmou que no 1º Seminário de Prevenção a AIDS, realizado no final de setembro em São Paulo, que ouve um aumento significativo do uso de álcool, maconha e cocaína nos últimos três anos entre os estudantes. E nesse meio, as moças consomem mais drogas do que os rapazes. O psiquiatra ainda traçou um breve perfil de como se ingressa nessa vida: Primeiramente, o uso de cerveja e vinho, socialmente em casa. Depois vêm as bebidas destiladas. A maconha vem como terceiro passo; a cocaína, os opiáceos e por último o LSD. Segundo Arthur de Andrade, quanto mais tarde o início do uso da droga, menor a chance de se tornar um usuário regular.
Passado o "auge" da maconha, a cocaína hoje lidera no Brasil. Lidera e continua subindo, de acordo com Alberto Corazza. O crack também tem sido difundido no país, no princípio com as prostitutas, com os meninos de rua e agora também entre jovens de classe média. A legislação em vigor é falha, segundo o delegado, e a que existe não é cumprida. A sociedade não participa da prevenção do uso de drogas, e não existe programa eficaz nesse sentido.

A dependência química é incurável biologicamente, e está além da vontade do dependente. Ninguém é viciado porque é mau, ou bom. No caso do alcoolismo, por exemplo, 70% da causa é interna, endógena, de cunho hereditário. Somente 30% é de causa psicológica. Com a cocaína ocorre justamente o contrário. Mas a cura, a libertação do vício, está intimamente ligada a um processo global,
envolvendo tratamento físico, psicológico e espiritual, não só do dependente como dos familiares. O risco da AIDS deve ser um bom motivo para se pensar em mudar d hábito. Abandonar o vício.
Para Percival de Souza, presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes de São Paulo- CONEN, "fornecer a droga, em qualquer circunstância ou sob qualquer pretexto, é apenas manter, estimular e alimentar a dependência". Para ele a vontade e escapismo de alguns defenderem o uso de drogas, através de qualquer forma, e mesmo pela legalização, é o limite do absurdo. O grande passo da liberação, segundo Percival de Souza, é ensinar aos viciados "os passos para se atravessar o rio da dependência e chegar à tão esperada independência. Isto sim, é ser solidário..."

As drogas e a AIDS

O uso de drogas injetáveis é hoje o meio mais rápido de disseminação do vírus HIV. A cada dia são notificados seis novos casos de AIDS entre os usuários de drogas injetáveis. Os usuários que contraíram o vírus têm uma morte mais rápida devida a implicações típicas do modo de contaminação. Eles morrem antes do aparecimento das doenças oportunistas comuns. Em geral a morte se dá em 6 meses. Deve se mencionar também o aspecto da qualidade da droga. A cocaína pode conter gesso, pó de parede, pó de lâmpada e ácido bórico. Das transmissões por relacionamentos heterossexuais e via vertical, 90% dos parceiros de contaminados heterossexuais são usuários de drogas.
Uma pessoa drogada só se recupera com tratamento. O que varia é a terapia usada. Mas a solução para o contágio do vírus HIV pelas agulhas e seringas, certamente não é a lavagem ou troca de agulhas, antes do próximo companheiro da "roda" da droga. (Confira Prevenção/ Seringas.)
Da mesma maneira que o sexo promíscuo, a mudança deve ser radical. Ou se é usuário ou não. Esta é a prevenção correta. Não é um caminho fácil. Mas trilhável. Existem inúmeras pessoas que se livraram do vício, e das conseqüências que ele traz, inclusive a AIDS. Há outros que abandonaram só depois que souberam ser portadores do vírus. Não é preciso esperar tanto!

S-8
Na luta contra as drogas

Há casas de recuperação, com programas de reabilitação física, psíquica, e principalmente espiritual. Como é o caso da comunidade S-8 de Niterói. Criada em 1971, a S-8 é um centro de recuperação de toxicômanos, que tem provado que há possibilidade de se livrar do vício das drogas. Há centros de Triagem, a porta de entrada da comunidade, em quatro cidades cariocas; Niterói, São Gonçalo, Rio e Cabo Frio. Dependendo do grau de dependência, o viciado é encaminhado para o Centro de Terapia Ocupacional- CTO, onde fica em regime de internato por 60 dias e logo depois em semi internato entre 90 a 180 dias, de acordo com a avaliação do programa. O CTO fica num sítio em São Gonçalo, RJ. Paralelamente é feito um trabalho com pais e familiares, com uma reunião semanal, já que são parte integrante do processo de cura do dependente.
A comunidade S-8 é cristã, e tem no seu programa um acompanhamento espiritual, promovendo a auto-estima do viciado, com base no amor de Deus, e a vivência dos profissionais envolvidos que procuram refletir esse amor. "É um trabalho difícil, mergulhar nos abissais do vício e da degradação humana. Mas aos poucos vamos absorvendo a luz de Deus e vemos sua glória refletida nesse trabalho", afirma o Pr. Waldir da Silva, responsável pelo local. Grande parte dos que são recuperados na S-8 têm experiências profundas com Deus, e suas vidas resgatadas. A comunidade S-8 faz ainda um acompanhamento constante com os que concluíram o tratamento, onde são fortalecidos e encorajados a permanecer "limpos", sem o uso de drogas.
Seu diretor é o Pr. Dr. Fábio Damasceno, psiquiatra que um dia foi viciado em drogas, e hoje testemunha com sua vida a total libertação que há em Jesus.