UMA VISÃO GERAL DA
AIDS


Síndrome, AIDS, vírus HIV, todos atributos de uma mesma doença, que ficaram bem conhecidos nos últimos dez anos. Mas até que você se depare com um doente, ou saiba que um parente seu está com AIDS, talvez não acredite que ela existe. Esse é o principal aspecto da AIDS: uma epidemia mortal, temida, mas ignorada pela maioria da população. Sua manifestação é tão traiçoeira, que as pessoas ouvem sobre os meios de contaminação, mas não se importam, porque acham-se fora do risco. Até o momento, muitos pensam que a AIDS é um problema do Ministério da Saúde, do governo em geral. Que alguém descobrirá a vacina antes que a doença se alastre. É o que todos pensam. Aconteceu assim com outras doenças.


Os números mostram um quadro bem diferente no mundo e principalmente no nosso país, que se figura no terceiro lugar no pódium da doença. Se utilizarmos o parâmetro americano, de que para cada pessoa contaminada existem de 50 a 100 portadores desconhecidos, na melhor das hipóteses chegaremos a um número espantoso: de cada 45 pessoas ativas em São Paulo (de 15 a 40 anos), uma está com o vírus da AIDS, e em cada 73 brasileiros , um está contaminado.
Para o médico Paulo Ayrosa Galvão, presidente do CONAIDS, há um aspecto da epidemia que deve ser encarado com seriedade e compromisso pela classe médica e principalmente pela população: Entre a doença e a contaminação há um grande período, de 3,5, até 10 anos. Nesse tempo, o vírus está minando a defesa do organismo e até que venha a ocorrer uma série de doenças oportunistas (tuberculose, pneumonia, tumores, etc..), a pessoa nem imagina que foi contaminada há tanto tempo. O uso de drogas injetáveis e um comportamento sexual promíscuo, principais formas de contágio já terão nesses 10 anos, disseminado o vírus para "n" pessoas em contato com aquela. Sem falar das mulheres grávidas que transmitem o vírus para o bebê, a chamada transmissão vertical.
O presidente do CONAIDS alerta ainda para o alto custo da doença, entre remédios, internações (US$500, dia). Com o avanço da contaminação, quando a doença se manifestar, em alguns anos, o Estado não poderá suportar o custo da doença. As projeções da AIDS no mundo, até o fim da década, variam: de acordo com a OMS, e a Universidade americana de Harvard, 110 milhões de adultos e 10 milhões de crianças em todo o mundo estarão infectadas. Para projeções mais conservadoras esse número cai para um total de 40 milhões de infectados. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, através da coordenadora do Programa Nacional de Prevenção de DST/ AIDS, Lair Guerra, existem 425 mil pessoas infectadas atualmente, e mais 87 mil estarão contraindo o vírus até 1995.

s
Relação NotificadosXPortadores
População Portadora do HIV
Percentualem relação à População
Proporção ao número de Habitantes
Brasil:
1:50 (OMS)
1.975.000
1,3%
-
x
1:10 (MS)
395.000
0,27%
1:367
São Paulo
1:50 (OMS)
750.000
2,3%
1:45
x
1:10 (MS)
250.000
0,7%
1:128


REAÇÃO EM CADEIA

O médico americano Patrick Dixon ilustra bem o processo chamado de duplicação. "Em um ano só há duas pessoas infectadas num clube. No segundo ano chega a oito e no outro a dezesseis. Todo mundo está bem, em plena forma. Depois de um ano e meio, 40 pessoas estão condenadas e no outro ano são quase cem. E então alguém conhecido do clube tem uma virose misteriosa e desaparece por uns tempos. Depois volta à rotina, mas nota-se que perdeu peso e dali seis meses tem um ataque de tosse e é levado ao hospital. Nada grave. No dia seguinte ele morre, e ficam sabendo que foi AIDS. Naquele mesmo dia, a centésima pessoa do clube se arrisca com alguém que considerava sadia e fica contaminada. Portanto, se na sua cidade 10 pessoas tem AIDS, saiba que mil estão por aí em 'boa saúde', com o vírus assassino.

ESTATÍSTICAS

No Brasil, o início da epidemia se deu em 1980, mas sabe-se de pessoas contaminadas na década de 70, quando ninguém sabia o que era a AIDS. Hoje são 42.500 casos oficialmente notificados, dos quais 64% no estado de São Paulo. Há ainda um percentual de 30% além desse número de casos não notificados (atestados como alguma outra doença oportunista). Mais de 19.000 pessoas já morreram, e o restante pertence ao denominado grupo 4 (pacientes que estão desenvolvendo múltiplas doenças oportunistas e enfrentando hospitalização). 6.500 são jovens abaixo de 25 anos. Os bebês contaminados pelas mães são o índice maior abaixo dos 15 anos. Dos 15 aos 19 o maior contágio se deu por drogas injetáveis, e acima dessa idade foram contaminados por relações homo, bi e heterossexuais e por drogas. Os hemofílicos formam o menor grupo, com 6% durante toda a década, diminuindo em 1992, graças ao maior controle do sangue

Orientações básicas na prevenção da AIDS



Como "não se pega" AIDS

Beijo
O beijo, abraço e contatos íntimos não sexuais, não transmitem a AIDS.
A mucosa da boca, quando intacta, não oferece riscos.
Camisinha
O uso de camisinha oferece uma segurança de 85%, sendo de boa qualidade
Urina
A urina de uma pessoa infectada contém uma concentração muito menor do vírus do que no sangue, sêmen ou fluido vaginal. Não há descrição de casos por este tipo de transmissão
Saliva
Há também uma pequena concentração do vírus, insuficiente para contaminar uma pessoa. Seria necessário um balde de saliva para a transmissão.
Piscinas e Banheiros
Os produtos químicos que se colocam na água matam o vírus quase que instantaneamente
Insetos
O HIV não se utiliza de insetos como parte do seu ciclo de vida. Não há nenhuma evidência de insetos transmitirem o vírus.


Como " se pega" AIDS

Relações Sexuais
Para a transmissão do HIV é necessária a exposição ao sêmen, ao fluido vaginal ou ao sangue. Portanto, sexo vaginal, anal e oral transmitem o HIV, quando um dos parceiros está contaminado.
Menstruação
Não mantenha relações sexuais durante a menstruação. Há risco de contaminação pelo sêmen para a mulher e pelo sangue para o homem.
Recepção de sangue contaminado
Por transfusão de sangue, uso e derivados do sangue, agulhas contaminadas e compartilhar a mesma seringa (drogados.)
Transmissão Materno-Infantil
A mãe infectada com o vírus HIV contamina o bebê durante a gestação, durante o parto ou na amamentação.

HIV/AIDS
Quem corre risco?

Existe grupo de risco?
Existe limite para a doença?

Os grupos de risco não existem.
Foi-se o tempo em que somente determinados grupos
de pessoas eram o alvo da AIDS.
O que existe hoje são comportamentos de risco.
Situações que nos colocam em risco de infecção.
Todos são o grupo de risco.

A sociedade é o grupo de risco.



As primeiras notícias da AIDS provocaram uma imagem específica e preconceituosa dos doentes. Somente homossexuais, usuários de drogas, hemofílicos, eram o grupo de risco. Essas pessoas foram marginalizadas durante anos por serem únicos portadores de uma doença tão terrível. O tempo e os números mostraram que o HIV não fez acepção de pessoas. Não se ateve a condição social, conjugal, grau de instrução, idade, sexo ou credo. Como a sociedade brasileira reagiu a isso? De repente a AIDS invadiu os lares indiscriminadamente. Como os doentes foram tratados por suas famílias?
A médica infectologista Mara Cristina S. M. Pappalardo, do I.I. Emílio Ribas, acredita que o chamado grupo de risco, quando do aparecimento da síndrome, apenas contribuiu para o preconceito e para a despreocupação da maioria da população, que corria o risco de contrair a doença da mesma maneira que aqueles.
Hoje sabe-se que não é bem assim. Todos correm risco. A médica Mara lembra-se de vários casos, de pessoas que enfrentaram a doença, por se acharem "fora de risco". A mulher de um alcoólatra que morreu de AIDS, nunca admitiu o motivo da morte do marido. Para ela, o marido era apenas alcoólatra, e por isso foi contaminado. Mas a verdade, é que o alcoólatra e o toxicômano, jamais se lembram da camisinha ou outra prevenção, quando estão sob o efeito das drogas. Para a infectologista Mara, a AIDS é pior que uma guerra. E ainda faz um alerta: "Não se deve achar que a doença só atinge pobres e ignorantes. E sim ouvir humildemente as informações; o pior cego é o que não quer ver."

Teste HIV
Quem deve fazer?


O diretor do ambulatório do I.I. Emílio Ribas, Jamal Suleiman, acredita que pessoas expostas ao risco de contrair a doença devem procurar um posto de saúde mais próximo e fazer o teste de AIDS.
Pessoas que usam drogas injetáveis compartilhadas, que fazem sexo com pessoas desconhecidas, homossexuais ou heterossexuais.
Quem sofreu transfusão de sangue nos últimos 13 anos também deve fazer o teste para maior tranqüilidade.
O modelo de assistência à infecção aplicado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas em São Paulo é fazer dos postos de saúde a porta de entrada para um portador. Do momento em que se tem um teste positivo para o HIV, o portador deve ser acompanhado na rede básica de saúde, que segundo o médico Jamal é o mesmo tratamento feito no Emílio Ribas. Como se trata de uma doença crônica, e leva até dez anos para se manifestar, não é preciso procurar imediatamente o Instituto de Infectologia. Isso deve ser feito somente quando houver necessidade de internações e tratamento mais complexo.

TESTES HIV

1º O Exame 2º Confirmação 3º Hbs Ag. 4º Hematológico

5º Toxoplasmose 6º Urina- Fezes 7ºVDRL+ FTA(abs.) 8º Monoteste

Se confirmado HIV+ : Série de Exames para saber se o paciente teve contato com outros tipos de doenças sexualmente transmissíveis, como Hepatite B, Sífilis, Gonorréia, Câncro, Herpes e outras.


Seringas e Camisinhas
Na mira dos Especialistas

A prevenção da AIDS não está nos instrumentos, nem nos métodos.
Especialistas em saúde questionam a verdade sobre preservativos,
seringas e grupos de risco


As camisinhas são mesmo seguras?

Ao contrário do que se acredita, os preservativos não são totalmente seguros para evitar a concepção. De cada cem mulheres que adotam a camisinha como método anticonceptivo, 14 engravidam. As campanhas publicitárias de camisinhas convenceram a população de que elas são totalmente confiáveis e os lucros e vendas das fábricas estouraram com o aparecimento da AIDS. Mas se a concepção existe uma margem significativa de “furo”, o que dizer com relação a AIDS, uma doença mortal? É verdadeira a campanha do sexo seguro? Você já pensou nisto?
Ninguém nunca ousou dizer acerca de um determinado preservativo: Esse é 100% seguro. O sexo é “mais” seguro com camisinha, mas não totalmente seguro. As pessoas só ouvem o que querem ouvir, o “seguro”. A margem de confiabilidade para um preservativo de alto controle de qualidade, é de 85%. Segundo o médico Patrick Dixon, autor do livro “AIDS e os Jovens”, algumas marcas de preservativos apresentam defeitos em 70% das amostras quando se abre a embalagem. As marcas melhores, ainda apresentam um preservativo defeituoso em cada 200, isso, antes de serem usados, o teste é você quem faz.
Esse é um problema mais difícil, no Brasil. Para o médico infectologista Vicente Amato Neto do Hospital das Clínicas em São Paulo, a qualidade de preservativos no Brasil é questionável. O Ministério da Saúde demora em liberar a regulamentação do controle de qualidade, que deve embutir não só o método brasileiro como controle, mas também os internacionais, que têm alcançado um índice “mais” seguro. Enquanto isso os preservativos são vendidos indiscriminadamente, onde nem sempre o mais caro é o mais confiável, e todos com a idéia implícita de “totalmente seguro”.
A camisinha ainda é o meio “mais” seguro, para quem decide continuar com sua liberdade sexual. Apesar de não ser totalmente segura, é preferível usá-la do que ficar totalmente exposto aos ricos, que são grandes. Portanto é necessário que as pessoas saibam como usá-la.
O comportamento das pessoas com relação ao preservativo é também um fator importante. Há um preconceito sobre quem usa camisinha. Isso deve ser pensado e mudado. Quem usa e se previne deve ser respeitado. E mais: se você for pressionado pelo parceiro (principalmente as mulheres) a não usá-la, não tenha relações com essa pessoa. os que não usam, são os que têm o maior comportamento de risco.


Você sabia que pode ser contaminado mesmo usando camisinha?

Se você desenhar um espermatozóide na mesma escala de um vírus HIV, o espermatozóide terá dez centímetros enquanto o vírus será do tamanho da cabeça de um alfinete. Se o espermatozóide pode passar pelo látex do preservativo, do homem para a mulher, mais ainda o vírus. Ele pode passar também da mulher para o homem. Mesmo que a camisinha falhe, a gravidez só pode ocorrer em três dias em um mês. Com o vírus, todos os trinta dias são férteis para sua disseminação. Se a realidade mostra que é ilusão pensar evitar seguramente um bebê com preservativos, maior ilusão é pensar estar seguro contra a AIDS só pelo uso de preservativo. Mais dia, menos dia, a contaminação pode ocorrer. Os preservativos apenas reduzem os riscos, não os eliminam. A idéia de segurança total da camisinha, através de propagandas irresponsáveis, vendem, além do produto, a promiscuidade no comportamento sexual. Use camisinha, evite a AIDS” “Divirta-se, mas não se esqueça da camisinha”. A OMS divulgou nota após a conferência mundial sobre AIDS deste ano: “Ainda que a vacina chegasse, sem uma mudança no comportamento sexual e uso de drogas, a AIDS atingiria as mesmas proporções previstas”.


Tire a camisinha do envelope e coloque-a sobre o pênis ereto.

Segure a ponta da camisinha entre os dedos e vá desenrolando.

O espaço vazio é o reservatório do esperma; s você não fizer isso, o risco da camisinha romper é maior.

Não use lubrificantes à base de óleo, nem saliva. É preferível comprar
as já lubrificadas.

Depois da ejaculação, a camisinha deve ser retirada enquanto o pênis
está ereto.

SERINGAS


Outra meia verdade

O uso de drogas injetáveis é o meio mais rápido e eficaz de contaminação. Um só usuário pode lançar o vírus em 1500 pessoas em 18 meses, usando seringas compartilhadas. O médico Vicente Amato Neto chama de complacência, o método de prevenção a AIDS que prevê a distribuição de seringas e de camisinhas. A primeira questão para ele é: a quem se deve doar? “Devemos parar um carrinho na esquina e distribuir seringas? Distribuir camisinhas entre todos os jovens e adolescentes? Isso é resolver o problema? A informação que se tem passado até hoje como forma de prevenção leva a isso. E então o problema seria só mesmo do governo. Recursos para preservativos e agulhas. Mesmo que muitos defendam essa postura não existe programação nesse sentido. Só mesmo uma propaganda que vende milhões, além da idéia errônea de que não é preciso mudar de hábitos.


Incoerência e perigo na distribuição de seringas

Os médicos e professores universitários, Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternack, redigiram um documento sobre o projeto do Ministério da Saúde de doar seringas e agulhas a drogados. Para eles, o método de distribuição surgiu nos EUA e Europa, onde a realidade é totalmente diferente do Brasil. Lá o tóxico abusado é a heroína e não a cocaína como aqui. Daí, métodos e relacionamento entre drogados serem diferentes. Os viciados que aplicam cocaína pelas veias, sabem que se for aplicada agudamente provoca convulsões, e se rapidamente, provoca calafrios, febre e dores musculares. No Brasil a cocaína é comercializada em pacotes de cerca de um grama, uma quantidade para dez pessoas ou no máximo cinco, se bem acostumadas. Por isso a aplicação segue um “ritual”. É sempre em roda. Um injetador prepara com água destilada e aplica 1 ml em cada viciado, retirando sangue sucessivamente, para ir diluindo, de modo que os últimos são favorecidos com menos reação. Ele mesmo rouba de cada um e usa em si próprio, no final, um volume maior, com a desculpa de que está diluído.
Assim, a seringa e agulhas distribuídas são praticamente inúteis na diminuição de contatos entre drogados. Seria necessário uma “educação” de outra forma de negociar a droga ou de utilizá-la. Mas isso seria um absurdo. É preferível investir no tratamento do viciado para que abandone o vício, ou então, o cúmulo dos absurdos dentre tantos: “é mais fácil ensinar a fazer o crack, por exemplo”.
Outro aspecto fundamental. Nos outros países a venda de agulhas e seringas sem receita é ilegal. Aqui o comércio é livre e não é tão caro, se comparado ao preço da droga. “A doação de seringas, agulhas e do hipoclorito de sódio como desinfetante merece críticas não só pelo aspecto ético, que estimula a toxicomania, mas pelo jurídico também”, prossegue o documento. É ilegal no Brasil, aplicar injeção endovenosa sem diploma, porque há riscos nessas aplicações. “Fornecer seringas e agulhas a inabilitados é como dar um carro ao menor de idade, ou arma a quem não sabe utilizá-la”. E ainda sobre o aspecto preventivo, os médicos continuam: O uso do desinfetante químico doado, na melhor das hipóteses evita a presença do HIV e do vírus da Hepatite B. Problemas como endocartite bacteriana, lesões pulmonares e overdose não mudam em nada com esse procedimento. E não se sabe como será a interação dos muitos pós que entram na composição das drogas com o hipoclorito.

A indústria da AIDS

O documento dos médicos Vicente Amato Neto e Jacyr Paternack encerra com uma forte denúncia: “Não é difícil vaticinar que trata-se de um plano só benéfico para vendedores de agulhas, seringas, além de burocratas de escritório, não exercendo a menor mossa na epidemia da AIDS”. Para eles, a medida do Ministério da Saúde desperdiça recursos precários e desvaloriza a realidade. Proposta de quem certamente “nunca foi ver como são as ‘rodas’, de quem não possui nenhuma formação médica e não tem assessoria adequada”.

AIDS E
ODONTOLOGIA

Existe risco de
contrair o HIV no dentista?



Essa é uma pergunta que muitos se fazem na hora de consultar um dentista. Como o conhecimento da AIDS ainda não é absoluto, ouve-se muita coisa, mas não se tem certeza de nada. Essa é a sensação predominante. Quem corre risco de contaminação, o paciente ou o dentista?

Em 1990, o centro de Controle de Doenças do EUA, CDC, publicou a primeira de uma série de relatos sobre a transmissão da AIDS, de um dentista para sua paciente, e mais tarde, no ano seguinte, outros quatro casos de contaminação pelo mesmo profissional.
O sangue é a principal via de transmissão da AIDS. Não pelo simples contato com a pele íntegra, mas pela picada de agulhas contaminadas, brocas, cortes com lâmina de bisturi, fios ortodônticos e instrumentos pontiagudos. A contaminação é na verdade uma via de mão dupla. O dentista ou o paciente expostos aos materiais contaminados podem contrair o vírus.
Cabe ao paciente a responsabilidade de se identificar ao dentista na primeira consulta, se é portador do HIV, ou se teve hepatite, herpes ou outra doença infecciosa. Cabe ao dentista uma investigação clínica completa do paciente antes do tratamento.
A meta de todo profissional de saúde, sadio ou portador do HIV, deve ser minimizar os riscos de contaminação a zero, seja entre dentista e paciente, paciente e dentista ou paciente e paciente. As estatísticas apontam 0,3% de contaminação por HIV e 30% para a Hepatite B. As medidas de prevenção valorizam a vida em 100%. Um mínimo de risco põe os 100% da vida em perigo, pois a AIDS é mortal.


Há ainda as medidas de prevenção que um dentista deve tomar, e que o paciente deve cobrar dele, caso não estejam em uso:

· Agulhas e pontas de sugadores de saliva devem ser descartáveis.
· Todo instrumental cirúrgico deve ser desinfetado e esterilizado, em soluções desinfetantes específicas e tempo preconizado.
· O dentista deve usar máscaras, luvas, óculos de proteção, lavar as mãos antes e depois de cada procedimento, proteger as superfícies do equipamento , inclusive a roupa, que podem ser manipuladas durante um tratamento

CONTROLE DE SANGUE
Tranqüilidade para os hemofílicos



Um do grupos de contaminados, o menor deles, é o que reúne pessoas receptoras de sangue, os hemofílicos, os que têm doenças hematológicas e imunológicas.
Uma melhoria no controle dos bancos de sangue no país garantiriam a tranqüilidade de pessoas receptoras.
As transfusões de sangue foram responsáveis por 6% dos casos de AIDS desde 1980, entre crianças e adultos. Pela estatística oficial, até abril desse ano, 2074 pessoas contraíram o vírus HIV em algum tipo de hemoterapia. Ainda que em percentual pequeno, o Ministério da Saúde revelou que o número de doadores com AIDS tem aumentado: 0,24% em 1990, para 0,28% em 91 e 0,37% no ano passado. (Jornal O Estado de São Paulo- maio/93)
Segundo a médica infectologista Maria Della Negra, infelizmente existe um percentual de contaminação pelo sangue. Mesmo com a melhoria de sua qualidade, 2 em cada 100 doadores não são detectados. É a janela imunológica, a pessoa está com o vírus, mas o organismo leva até oito semanas para produzir anticorpos (o que determina o positivo do teste).
O controle de sangue no Brasil é feito através das Secretarias de Saúde de cada estado, não tendo o Ministério da Saúde um controle efetivo sobre elas. A qualidade do sangue se mantém de acordo com as condições de cada estado. Essa situação tem sido muito criticada por profissionais da saúde. A coordenadora do Programa de Controle de DST/AIDS, Lair Guerra, afirmou que 50% do sangue coletado no país não passa pelo controle do ministério. (O Estado de São Paulo, 31/08/93). O secretário Nacional de Vigilância Sanitária, Roberto Chabo, fez denúncias graves ao sistema de controle do sangue no Brasil. Alguns médicos responsáveis por esse serviço em hospitais de São Paulo garantem o controle de sangue no estado e acusam o secretário nacional, Chabo, de espalhar pânico entre pacientes que necessitam de sangue e seus familiares. segundo Lair Guerra, o sangue doado tem 100% de cobertura de testes apenas em alguns estados, não em todo o país, resultando infelizmente apenas 50% de controle de sangue. a lei inclui como obrigatórias as provas de laboratórios para detectar a hepatite B, AIDS, sífilis, malária e doença de Chagas.